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Gestão Urbana em debate: Cacá Colchões detalha raio-X dos serviços urbanos em Ilhéus, expõe déficit de pessoal e anuncia novo modelo de zeladoria

Publicada em: 09/06/2026 09:14 -

Em uma entrevista franca e detalhada ao podcast Super Blogs, o secretário de Serviços Urbanos de Ilhéus, Cacá Colchões, apresentou um verdadeiro diagnóstico da infraestrutura e manutenção da cidade, equilibrando política e gestão sem fugir dos temas mais espinhosos. Durante a conversa, o secretário expôs as severas limitações operacionais herdadas por sua pasta, detalhou o desenho de uma nova e robusta licitação para o lixo e defendeu que a zeladoria é o principal motor de aprovação da gestão municipal. Um dos gargalos discutidos foi o cumprimento das rotas de coleta de lixo doméstico, especialmente em áreas de difícil acesso geográfico e em vias com problemas crônicos de mobilidade. Atualmente, o município opera diariamente com 18 caminhões coletores, divididos em nove rotas no turno da manhã e nove no turno da noite, mas Cacá ressaltou que a estrutura atual é deficitária para o tamanho de Ilhéus. Ele citou o exemplo de bairros como a Tapera e ruas populosas da Conquista, onde o traçado estreito das vias e o estacionamento irregular impedem fisicamente a entrada de caminhões de grande porte. Para resolver isso, defendeu a necessidade urgente de descentralizar o serviço utilizando frotas menores e mais ágeis. Durante os períodos de alta estação nas zonas norte e sul, onde a população flutuante triplica, o município precisou injetar cinco caminhões extras para mitigar o acúmulo de resíduos, evidenciando que o modelo atual trabalha no limite de sua capacidade.

 

O momento mais impactante da entrevista, no entanto, ocorreu quando Cacá Colchões abriu os números do quadro de funcionários concursados da Secretaria de Serviços Urbanos (Secsurb), revelando um cenário de “apagão” de mão de obra decorrente de anos sem reposição de pessoal, aposentadorias e o Plano de Demissão Voluntária (PDV) da gestão anterior. “Quando fui vice-prefeito (2013-2016) liderei a operação Ilhéus em Ação, nós tínhamos 816 funcionários na secretaria e 226 mulheres atuando especificamente na varrição. Ao retornar ao setor oito anos depois, encontrei a secretaria com apenas 296 pessoas no total. O setor de varrição caiu de 226 para apenas 60 servidoras”, desabafou o secretário. Cacá explicou o impacto matemático desse déficit no cotidiano da cidade: descontando licenças médicas, férias mensais obrigatórias e os plantões necessários para manter as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) limpas, restam pouco mais de 20 varredoras para cobrir todo o território do município. Por isso, a secretaria tem recorrido ao pagamento exaustivo de horas extras e mutirões de fim de semana para que o centro comercial e os principais corredores urbanos não fiquem desassistidos.

 

A carência de recursos humanos também afeta setores pouco lembrados pela opinião pública, mas essenciais para a dignidade urbana. Ilhéus possui 22 cemitérios municipais espalhados entre a sede, vilas e distritos, mas conta com um quadro de apenas 22 funcionários para geri-los. Cacá pontuou que o número ideal para cobrir as escalas de sepultadores — considerando que a demanda não escolhe feriados ou finais de semana — seria de pelo menos 66 profissionais. No setor litorâneo, o desafio é geográfico: o contrato atual de limpeza urbana cobre apenas 40 quilômetros de praia, embora a extensão oficial do município seja de 80 quilômetros. Diante do fenômeno sazonal das baronesas, que este ano atingiu fortemente a zona norte, do São Miguel ao Luzimares, as equipes precisaram atuar em jornadas de madrugada e nos intervalos das marés para remover toneladas de vegetação trazidas pelos rios.

 

Como resposta definitiva a essa crise estrutural, Cacá Colchões depositou suas expectativas em duas grandes frentes: o novo contrato de resíduos sólidos e a realização de um concurso público. O edital da nova licitação do lixo redesenhou o modelo de serviços para a cidade, com o orçamento previsto saltando do patamar antigo de R$ 15 milhões para R$ 36 milhões anuais. O secretário justificou o aumento substancial como um investimento necessário — e não um gasto supérfluo —, pois o novo contrato prevê a modernização da frota com 14 caminhões novos, o aumento de uma para seis “moto-lixo” (motos acopladas com caçambas para acessar ladeiras e ruelas), a contratação de uma empresa terceirizada com 80 funcionários exclusivos para a varrição de ruas e a duplicação da cobertura de limpeza de praias para os 80 quilômetros reais. Na área de sustentabilidade, Cacá destacou a recente entrega do galpão da Associação de Catadores do Itariri e a parceria com a Colimpa na zona sul, com o objetivo de desviar materiais recicláveis do Aterro Sanitário (CVR), reduzindo o custo municipal por tonelada de lixo depositada e gerando emprego e renda na ponta da cadeia. Além disso, o secretário celebrou o sucesso do projeto-piloto de caixas estacionárias de 40 metros cúbicos voltadas para carroceiros e pequenos entulhos de reformas residenciais, prometendo expandir o modelo para acabar com os pontos de descarte irregular, as chamadas “lixeiras viciadas”. Por fim, Cacá confirmou que o plano de cargos para o próximo concurso público de Ilhéus já foi formatado junto à Secretaria de Gestão, com o projeto técnico já tendo dimensionado as vagas necessárias para a Secsurb. Agora, a pasta aguarda apenas a liberação do setor financeiro para o lançamento do edital, o que deve ocorrer ainda este ano, garantindo que a cidade volte a ter braços técnicos permanentes para cuidar do seu patrimônio urbano.

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